Placidamente me encontro no escuro
A contemplar este silêncio em devoção
Que à minha volta construiu um grande muro
E que não fora em verdade solução.
Só o desejo improfícuo de dormir
De quem atento inda tropeça nesses astros
A esperar pela ventura do porvir
Por mais um dia que será igual aos outros.
E a palavra que traz todas as respostas
A carregar todo esse peso em minhas costas
De tudo aquilo não há e há em mim
Vem repousar numa palavra só: enfim.
9.2.12
26.1.12
E era como se a água desejasse escapar de sua casa que é o rio e deslizando apenas nem tocar a margem.
Sempre a resposta errada
Da pergunta que ninguém fez
Uma placa ao largo da estrada
Que indica lugar nenhum
A longa espera pelo dia
Que não chegará jamais.
Da pergunta que ninguém fez
Uma placa ao largo da estrada
Que indica lugar nenhum
A longa espera pelo dia
Que não chegará jamais.
18.1.12
Cherish the certainly of now: it kills you a bit at a time.
Os paradoxos invadindo a alma
E a memória de uma vã procura
Que vai trazer a mais cruel loucura
A redenção da nossa própria calma
Reinvenção de uma excelsa morte
Glorificada no vazio da sorte
De quem já não conseguiria nada
Além de expor a convicção cansada
De uma régia e sutil presença
Tão decadente, assustadora e fria
Cambaleando em fugaz descrença
Na esperança que já não havia
Por uma glória já perdida e só
De um amor desencontrado em si
O puro escárnio de quem nunca ri
A renascença do horror sem dó.
E a memória de uma vã procura
Que vai trazer a mais cruel loucura
A redenção da nossa própria calma
Reinvenção de uma excelsa morte
Glorificada no vazio da sorte
De quem já não conseguiria nada
Além de expor a convicção cansada
De uma régia e sutil presença
Tão decadente, assustadora e fria
Cambaleando em fugaz descrença
Na esperança que já não havia
Por uma glória já perdida e só
De um amor desencontrado em si
O puro escárnio de quem nunca ri
A renascença do horror sem dó.
13.1.12
O destino que tens, de querer o impossível, é igual a este meu, de querer ser feliz.
Mais um entardecer em que a sorte não vem
Fosse a esperança tão-só um remendo
Imagino que algo esteja acontecendo
E eu resolvo viver as venturas de outrem
Vasculho as histórias fossem todas minhas
Perco-me nas memórias de plebeu e rei
Que me revelam cada coisa que não sei
E me descrevem n’outras luminosas linhas
Relatos de viagens que jamais farei
E fotos de pessoas que não conheci
De tanto ouvir e ver, eu até me cansei
Da minha própria vida eu me esqueci
Volto à realidade da vida ordinária
Que me deixa com sono, cansado e só
Encosto-me na cama, apago a luminária
E meus sonhos se perdem, nas cinzas, no pó.
Fosse a esperança tão-só um remendo
Imagino que algo esteja acontecendo
E eu resolvo viver as venturas de outrem
Vasculho as histórias fossem todas minhas
Perco-me nas memórias de plebeu e rei
Que me revelam cada coisa que não sei
E me descrevem n’outras luminosas linhas
Relatos de viagens que jamais farei
E fotos de pessoas que não conheci
De tanto ouvir e ver, eu até me cansei
Da minha própria vida eu me esqueci
Volto à realidade da vida ordinária
Que me deixa com sono, cansado e só
Encosto-me na cama, apago a luminária
E meus sonhos se perdem, nas cinzas, no pó.
10.1.12
Renaissance is over and I wonder: should I close my eyes and pray? Feel like I've betrayed? Always be the same (once again)?
Houve um tempo em que as palavras vertiam do chão e desabavam de meus lábios e meus olhos e escapavam de minhas mãos caudalosamente sem cautela alguma apenas a expressão nada sutil do escândalo e eram todos os sonhos insones uma infinita e grosseira fome de conhecer de começar a reviver tudo que estava insepulto e vandalizado ó deus em quem não acredito como eram vivas as negras paisagens que eu derramava fossem flores de escárnio e tormento numa sagrada profanação da divindade suja que era eu mesmo no início sem final no bem que também era o mal e eu me tornava nunca deixara de ser o próprio deus culpado açoitado ressurreto a ascender ao mais excelso e régio círculo imperfeito do panteão das minhas visões sublimes infernais em comiseração a sursis de um deus que precisava ser temido e adorado só precisava ser aceito por todos por ninguém na celebração de tudo que era incerto quando não havia tanta paisagem útil a me distrair e meus olhos se voltavam somente a você à adoração cheia de desprezo desapego desespero a tudo que eu amava eu fingia eu temia por me faltar por eu não saber toda a lírica do ódio dedicada ao imenso vazio que era o interstício de existir momento de se calar de cantar todo aquele silêncio brutal que doía envolvia todos que um dia vieram ficaram pelo caminho que nem existia somente a ventura ressentida do agora só por hoje nunca houve atirado no chão corpo entregue ao mar absoluto que jamais vi ao qual pertenço desde que resolver não mais escrever existir desistir em reverência ao mais profundo e majestoso esquecimento.
9.1.12
Sem esclarecimento tudo será apenas crueldade.
Falta de excesso de assunto
Regresso de falta de tudo
De tempo que sobra e falta
– Excesso de pauta no mundo.
Porque depois de tanto tempo
Sem escrever coisa qualquer
Precisa ser definitivo
E infinito e imperativo
Sobre a existência ou uma mulher
Ou qualquer coisa que invento.
No entanto a idéia não vem
Só a velha insatisfação
Com todo escárnio e desdém
Que mata a inspiração.
Regresso de falta de tudo
De tempo que sobra e falta
– Excesso de pauta no mundo.
Porque depois de tanto tempo
Sem escrever coisa qualquer
Precisa ser definitivo
E infinito e imperativo
Sobre a existência ou uma mulher
Ou qualquer coisa que invento.
No entanto a idéia não vem
Só a velha insatisfação
Com todo escárnio e desdém
Que mata a inspiração.
23.12.11
“Existiremos!”, prosseguiu ela, na voz do mais magnífico dos sentimentos.
Final de ano: Natal, Ano-Novo | Cavalos calados, abraços partidos | Amor impossível e desperdiçado | Comida, bebida e sonhos vazios | Vicissitude do ser desumano | Família, presentes, et coetera e tal | Encenação de noites descontentes | E o ciclo se fecha feito um ataúde.
25.11.11
Não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
[Quadras ao gosto popular.]
Eu caminhava pelas tardes
Não adiantava me esconder:
Com a memória em meu ser
Fossem mil sóis, tu inda ardes.
E então voltava meu olhar
E disfarçava o meu pranto
Havia sempre um entretanto
– Eu preferia me calar.
E quantas noites eu sonhei
Que retornava pros teus braços
Porém atada a outros laços
Eras rainha de outro rei.
Hoje, calado, reconheço
Chegando ao idos de dezembro:
Tu não estás onde me lembro
Mas nas canções em que te esqueço.
***
Vens de vidas que não vivi
E diz coisas que não sei
Traz de volta o que sonhei
O sorriso que tive e perdi.
Vens andando sobre o mar
Afastando as quimeras
És a verdade de outras eras
Que nunca pude imaginar.
Faz o meu sonho acontecer
Pois nos teus olhos pacientes
Vejo plantadas as sementes
De um amor por florescer.
És a musa de um novo fado
Que apaga o amargo da vida
Traz a cura da minha ferida
E anda sempre ao meu lado.
Eu caminhava pelas tardes
Não adiantava me esconder:
Com a memória em meu ser
Fossem mil sóis, tu inda ardes.
E então voltava meu olhar
E disfarçava o meu pranto
Havia sempre um entretanto
– Eu preferia me calar.
E quantas noites eu sonhei
Que retornava pros teus braços
Porém atada a outros laços
Eras rainha de outro rei.
Hoje, calado, reconheço
Chegando ao idos de dezembro:
Tu não estás onde me lembro
Mas nas canções em que te esqueço.
***
Vens de vidas que não vivi
E diz coisas que não sei
Traz de volta o que sonhei
O sorriso que tive e perdi.
Vens andando sobre o mar
Afastando as quimeras
És a verdade de outras eras
Que nunca pude imaginar.
Faz o meu sonho acontecer
Pois nos teus olhos pacientes
Vejo plantadas as sementes
De um amor por florescer.
És a musa de um novo fado
Que apaga o amargo da vida
Traz a cura da minha ferida
E anda sempre ao meu lado.
21.11.11
I settled for the odious to see my dark and hateful eternity.
Perde o teu sono, chora feito cão sem dono, mas não mostra fraqueza, não baixa a cabeça, não pede perdão. Vomita, vomita até as tripas, faz delas coração, mas não perde teu chão, não esquece o passado, quando foste humilhado. Não te sintas culpado, esconde a tristeza, inventa um sorriso, faz o que for preciso, joga fora as certezas. Vê o sol lá fora, espera a tempestade, seja o anônimo do mundo, parte de uma existência, arte dos pesadelos. Vai abrir Sete Selos da Divina Inclemência, pisotear a verdade do infinito que é agora. Traz nas costas o incômodo profundo das mágoas que já te pisaram, de toda a cidade vazia e vadia que se ergue sobre os restos de ti. Procura razão nas tuas desmemórias, inglórias respostas, onde enfim padece a solene demora do soturno fim.
16.11.11
Ela sabe o que costumo e o que não costumo.
Agora mesmo eu vou ali me esquecer
Eu fico triste e não devia me importar
Pois é um assunto que nem diz nada pra mim
E quem será o derradeiro a dizer sim?
Pois essa casa nunca foi mesmo um lar
– E vai a noite mergulhar no amanhecer.
Fico acordado repensando desesperos
Pois no silêncio cada lágrima desaba
Discretamente bem no fundo da retina
Na escuridão toda a esperança acaba
Já na primeira insegurança repentina
– Fosse a morte arrancando os meus cabelos.
E cada hora é um açoite desumano
Dos ventos tétricos o mais temido arcano
Reviravolta do infinito imperfeito
A epifania do ansiado e contrafeito
Desaba sobre todo ódio esquecido
– Já amanhece sem nem ter anoitecido.
Eis-me no fim e eu ainda sei quem sou
No recomeço de um dia acinzentado
A existência com o peso do Universo
Todo moral jaz insepulto e perverso
Vejo em teus olhos a imagem do passado
– O puro inferno que a verdade libertou.
Eu fico triste e não devia me importar
Pois é um assunto que nem diz nada pra mim
E quem será o derradeiro a dizer sim?
Pois essa casa nunca foi mesmo um lar
– E vai a noite mergulhar no amanhecer.
Fico acordado repensando desesperos
Pois no silêncio cada lágrima desaba
Discretamente bem no fundo da retina
Na escuridão toda a esperança acaba
Já na primeira insegurança repentina
– Fosse a morte arrancando os meus cabelos.
E cada hora é um açoite desumano
Dos ventos tétricos o mais temido arcano
Reviravolta do infinito imperfeito
A epifania do ansiado e contrafeito
Desaba sobre todo ódio esquecido
– Já amanhece sem nem ter anoitecido.
Eis-me no fim e eu ainda sei quem sou
No recomeço de um dia acinzentado
A existência com o peso do Universo
Todo moral jaz insepulto e perverso
Vejo em teus olhos a imagem do passado
– O puro inferno que a verdade libertou.
24.10.11
Porque não há ninguém tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos.
[12h06min] Um texto escrito assim, sem fim, sem começo, sem porquê, sem o quê? Ah, não entendi, é que estou aqui, o espaço estava vazio e resolvi ocupá-lo. Matá-lo, é o fim da arte-de-martedeusdaguerra-da-morte-de-toda-a-sorte. Sou sem-teto das letras, retirante, proscrito de toda a vida, inserida no descontexto do sem-fim, do que nunca houve em mim, do rastro deixado pelos erros e desterros. É o fim engolindo o início sem mastigar. E me faltar o mar, me fartar de amar. [12h10min]
11.10.11
Um rosto vadio me dá o vazio de já tê-lo visto.
Tarde da noite | Sozinho, cansado | Após o trabalho | Açoite, maçada | Voltando do bar. || A mente flutua | No corpo dormente | E um pouco da vida | No copo | – Ausente. || A luz amarela | Mortiça | Distante | Me leva adiante | Revela o passado || Um tanto enjoado, calado, partido | Num copo trincado | Em cacos, a vida || Feridas as mãos | Amargo nos lábios | As portas se fecham | A rua é meu lar.
5.10.11
I tear asunder Heaven as I would all enemies.
Num falso alexandrino escrevo um testamento
[Fogueira das vaidades da minha vaidade]
Na sutil ilusão que eu ‘inda alimento
De que os céus e infernos ouçam a verdade.
Na torrente de toda a tua enorme cidade
Lá, no local exato do sepultamento
Saberei que terá chegado o meu momento
– E pensar que perdi a minha mocidade.
Lembro que a falsidade foi u’a companheira
E o hoje é um abismo que me tem à beira
– Novidade é disfarce da repetição.
Pois no teu rosto morto me resta a vitória
De saber que a tua última memória
Foi um sutil pavor sem qualquer redenção.
[Fogueira das vaidades da minha vaidade]
Na sutil ilusão que eu ‘inda alimento
De que os céus e infernos ouçam a verdade.
Na torrente de toda a tua enorme cidade
Lá, no local exato do sepultamento
Saberei que terá chegado o meu momento
– E pensar que perdi a minha mocidade.
Lembro que a falsidade foi u’a companheira
E o hoje é um abismo que me tem à beira
– Novidade é disfarce da repetição.
Pois no teu rosto morto me resta a vitória
De saber que a tua última memória
Foi um sutil pavor sem qualquer redenção.
29.9.11
Let's go to the overground: get your head out of the mud baby; put flowers in the mud baby – overground.
Na clara noite e na escura manhã
Nos teus escarros de espesso mel
E nos meus beijos de acre romã
Eu sou culpado, inocente e réu
Por desvelar o mais espesso véu
Morder o fruto que não é maçã
Lançar blasfêmias ao Sétimo Céu
– Contra os deuses, a luta mais vã.
Porém insisto na profanação
Que faz pulsar meu negro coração
E na loucura de amargo sabor
[Corpo encharcado com esse pavor]
[Ossos trincados no puro estertor]
Enquanto a vida desaba sem cor
E o amor repousa num caixão
– Que o Demônio ouça esta oração.
Nos teus escarros de espesso mel
E nos meus beijos de acre romã
Eu sou culpado, inocente e réu
Por desvelar o mais espesso véu
Morder o fruto que não é maçã
Lançar blasfêmias ao Sétimo Céu
– Contra os deuses, a luta mais vã.
Porém insisto na profanação
Que faz pulsar meu negro coração
E na loucura de amargo sabor
[Corpo encharcado com esse pavor]
[Ossos trincados no puro estertor]
Enquanto a vida desaba sem cor
E o amor repousa num caixão
– Que o Demônio ouça esta oração.
16.9.11
And I hope you let me share your place.
Acumulando erros e medos no beijo e no pranto em silêncio da alma em pavor feito e desfeito vadio inseguro num canto em silêncio imundo e escuro no fundo de qualquer boteco nas chagas abertas nas ruas desertas até onde nem sei como entender descrever eu sigo e me persigo sigo torto e absorto despencando em desgraça esmagado insepulto encharcado de mágoas na escuridão e até falta adjetivo pra essa coisa da vida pra este tipo de texto e até falta objetivo pra quem sempre só trabalha resiste e ainda insiste no fio da navalha dos próprios desterros e conceitos que já não têm mais conserto como se ter ido fosse necessário para voltar e cada miserável derrota ou afronta no coração partido a vagar como quem jamais se encontra fosse uma perversa espécie de recomeçar.
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