31.7.09
This pure flight of transparency mutating into the new circle of power.
[14h30min] Vamos despetalar, mastigar, morder, fazer morrer tudo que é razão nesta vida, tudo que é saída deste labirinto, pois nada do que eu sinto pode descrever o que escrevo, finjo, minto e replanto só para arrancar tudo de novo, desejar um querer maior que a morte, tão forte que não se meça, que ninguém peça tanto, uma vida de comer, beber, engolir, engasgar, só para regurgitar o que atinjo com palavras, com palavras, com palavras. [14h34min]
30.7.09
We feel the pull in the land of a thousand guilts.
Eis-me aqui: | No quarto de hotel; | Numa cidadela qualquer do Céu, | Sento-me à beira da cama, | Tiro os sapatos com lama. | E recostado nas cobertas, | Veias da memória abertas | De repente vêm as memórias | Todas aquelas histórias | Feito uma assombração | Feito uma velha canção | Que faltou ser concluída | Paixão que não teve saída | E faz ruir o meu telhado | E o chão ficar molhado | De tanta lágrima tardia | E enquanto o entardecer ardia | No sol que afundava no horizonte | Vinham-me defronte | Os rostos desapegados | Espíritos despreparados | Para tudo que viria | E quem diria? | Lembra de quando estávamos tão perto? | De quando tudo era mais certo | À distância de um abraço, | Atados por um forte laço | Que parecia nunca se quebrar? | Achávamos que nada ia mudar: | Sob a luz de tais olhares, | Tudo era tão legal, |”Nunca ia ter final”. | Mas estávamos errados | Naqueles tempos desterrados | E aquela coisa de infância | Era só ignorância | De sentimentos espalhados | Em velhos álbuns empilhados | Que hoje revejo sem interesse | Como se eu me esquecesse | De tudo aquilo que vivi.
Pois quem anda sob esses olhos não tem medo de nada.
Olha, teu coração me viu passar e disse: | “Siga-o, não deixe que ele se vá!” | (E você sempre ouve o que ressoa em teu peito.) | Por isso você me seguiu na escuridão; | Fez um grande sim do que era apenas um não. | “Faça com que a vida dele seja teu leito!” | (Continuava a ordenar o coração.) | “Abraça aquele moço, olha-o direto no rosto.” | E não há quem diga | Que não existe um imenso amar | Que chove do céu e dos olhares. | Palavras? Às milhares, | As melhores, | No infinitivo entre mim e você. | “Não se vá”, o moço respondeu, estendendo os braços | “Ainda faltam mil abraços para nossos laços” | Ela sorriu: amanheceu. | E o coração: | "Não há desengano, não há senão paixão." | Vem e olha. | E se molha com ele na chuva que chove tanto, tanto, tanto. | Na voz mais doce do mundo, de envergonhar sereias; | Na beleza de fazer morrerem valquírias | De fazer florir por onde andas | Com olhos de vago lume numa noite de luar | Sorriso de fazer deuses se curvarem em reverência. | “Por que você queres ficar perto de mim?” | “Por que me invadiste e fim.” | “Eu só queria ser o teu silêncio.”
20.7.09
By dark glorious thoughts.
[Olhos nos olhos sem brilho algum.]
_Não quero mais saber de tuas culpas e desculpas, infantilidades tão adultas que me deixam a ver navios que jamais saíram do cais arruinado, que jazem no fundo dos rios de água salgada que verte dos meus olhares.
_Só desejo que tudo fique bem. Queres que tudo termine bem? Se bem que, na verdade, ou na mentira, sempre termina. Não me entenda mal, porém a paixão é um trem que jamais chega à estação. Comprei a passagem do sim e do não e hoje aguardo sozinho a véspera da partida.
_Só que meu céu está no chão, meus pés estão sem chão. É isso. E meu coração, na tua mão. Caiu? Partiu(-se)? Na escadaria que subi de joelhos, em penitência, na busca da redenção do teu abraço, tropecei em meus passos incertos e deixei que tudo se despedaçasse.
_E meu coração que há três dias está na boca? Estive a ponto de mastigá-lo, a fim de que a dor viesse sumária, de uma só vez. Meu coração é feito cobra-de-vidro, dói-me tanto mastigar.
_Você é meu norte, minha sorte, me fez perder o medo da morte. É meu jardim, meu oceano sem fim, meu céu estrelado espelhado nos olhos e no sorriso. Tudo de que preciso. Você é meu lugar, é onde quero estar.
_Já me trancaste a sua porta. Não me fecha tua janela. Não há mais coração em meu peito porque nele está o espaço para te aninhar em meu colo. E não me olha com esses olhos vazios de tarde nublada.
[Abraço de duas solidões.]
_Não quero mais saber de tuas culpas e desculpas, infantilidades tão adultas que me deixam a ver navios que jamais saíram do cais arruinado, que jazem no fundo dos rios de água salgada que verte dos meus olhares.
_Só desejo que tudo fique bem. Queres que tudo termine bem? Se bem que, na verdade, ou na mentira, sempre termina. Não me entenda mal, porém a paixão é um trem que jamais chega à estação. Comprei a passagem do sim e do não e hoje aguardo sozinho a véspera da partida.
_Só que meu céu está no chão, meus pés estão sem chão. É isso. E meu coração, na tua mão. Caiu? Partiu(-se)? Na escadaria que subi de joelhos, em penitência, na busca da redenção do teu abraço, tropecei em meus passos incertos e deixei que tudo se despedaçasse.
_E meu coração que há três dias está na boca? Estive a ponto de mastigá-lo, a fim de que a dor viesse sumária, de uma só vez. Meu coração é feito cobra-de-vidro, dói-me tanto mastigar.
_Você é meu norte, minha sorte, me fez perder o medo da morte. É meu jardim, meu oceano sem fim, meu céu estrelado espelhado nos olhos e no sorriso. Tudo de que preciso. Você é meu lugar, é onde quero estar.
_Já me trancaste a sua porta. Não me fecha tua janela. Não há mais coração em meu peito porque nele está o espaço para te aninhar em meu colo. E não me olha com esses olhos vazios de tarde nublada.
[Abraço de duas solidões.]
17.7.09
Walking down the path that lead to my memories.
Foi certa madrugada de erros, na verdade uma escuridão de certezas terríveis, que ainda não cedeu lugar à alvorada, e talvez jamais deixe que amanheça dentro de mim. Uma outorga de fins, não princípios. Cartas relidas antes mesmo de serem escritas. Um megálito ancestral desmoronando com um beijo frio de mortalidade. A verdade, os fatos, as fotos, foi como um bombardeio às avessas, uma implosão, um câncer desabando sobre a carne petrificada, e toda a cidade desmoronou sobre as nuvens-telhado do céu espelhado no oceânico desterro. Os pobres-deuses viraram os olhos, envergonhados de tanta náusea enquanto os cadáveres, estendidos feito marionetes, se arrastavam pelo caminho escuro, sujo e seco, em busca da pura e deliciosa destruição. Era toda a vida dos outros. Era a minha inglória morte.
15.7.09
Ingen tårer skal fylle dine netter.
[14h10min]
Já perdi a identidade
N’alguns cantos da cidade
Numas vezes, fui furtado
Em passos mal iluminados.
Ou tenha me descuidado
Algumas vezes, verdade
Foi por minha má-vontade
Mas que importa?, está acabado.
Ficou um pouco em cada canto
Feito pedaços de um manto
Que já foram se rasgando
Desfazendo, desmanchando.
Num açoite desumano
D’um caminho tão nefando
Que meu ser, em desencanto
Foi despido de seu pranto.
Tive que achar u’a carteira
Outra cara verdadeira
Que de algo me valesse
Em que eu me reconhecesse.
P’ra que algo acontecesse
E me trouxesse interesse
Numa angústia tão certeira
E o abismo?, sempre à beira.
Caído n’outras desventuras
Vestindo roupas escuras
Hoje, qual será meu gosto?
Quem me sentirá o gosto?
Quem ocupa o tal posto
De sentir o meu desgosto?
E que possa, por ventura
Sentir ele minh’amargura.
[14h22min]
Já perdi a identidade
N’alguns cantos da cidade
Numas vezes, fui furtado
Em passos mal iluminados.
Ou tenha me descuidado
Algumas vezes, verdade
Foi por minha má-vontade
Mas que importa?, está acabado.
Ficou um pouco em cada canto
Feito pedaços de um manto
Que já foram se rasgando
Desfazendo, desmanchando.
Num açoite desumano
D’um caminho tão nefando
Que meu ser, em desencanto
Foi despido de seu pranto.
Tive que achar u’a carteira
Outra cara verdadeira
Que de algo me valesse
Em que eu me reconhecesse.
P’ra que algo acontecesse
E me trouxesse interesse
Numa angústia tão certeira
E o abismo?, sempre à beira.
Caído n’outras desventuras
Vestindo roupas escuras
Hoje, qual será meu gosto?
Quem me sentirá o gosto?
Quem ocupa o tal posto
De sentir o meu desgosto?
E que possa, por ventura
Sentir ele minh’amargura.
[14h22min]
13.7.09
It's the dawn of descending.
Devorando rimas que não há no dicionário: mergulhando no caos, o príncipe dos porcos, da poesia em ruínas, escrevendo no papel de idiota no qual foi limpo o sangue sujo, as lágrimas acres, o suadouro vil. Por isso adoça meu dia de bagaço com melaço de cana do engenhoso mel engendrado nas ferroadas do teu toque na minha pele, que roubaram o amargo do mel e o pecado de todos os frutos. Marejados do verde-marinho que jamais vi, cabelos ondulando ao vento, deixo as duas praias em chamas e caminho para dentro dos campos mais inóspitos, onde são plantados os sonhos que todos se esqueceram de colher.
12.7.09
Over orchards of grievance, sorrow and tears, this beautiful silence calls me now.
Aonde vai o amor quando ele acaba?
Eis um mistério cheio de sujeira
De quem a paixão tornar-se-á escrava?
Quem enterrar-se-á naquela areia?
É um bater de porta sem aldrava
Mosca sobre o cadáver sem pôr larva
Criatura que será só tão parva
Coisa fútil que nunca se salvava.
Não, eu não vou te ver nem que tu morras
Sei que não haverá que te socorra
Nas vãs estrofes deste cantochão.
Mesmo insetos recusam o teu corpo
Barcaças negam tê-la como porto
- Teu destino será a solidão.
Eis um mistério cheio de sujeira
De quem a paixão tornar-se-á escrava?
Quem enterrar-se-á naquela areia?
É um bater de porta sem aldrava
Mosca sobre o cadáver sem pôr larva
Criatura que será só tão parva
Coisa fútil que nunca se salvava.
Não, eu não vou te ver nem que tu morras
Sei que não haverá que te socorra
Nas vãs estrofes deste cantochão.
Mesmo insetos recusam o teu corpo
Barcaças negam tê-la como porto
- Teu destino será a solidão.
10.7.09
Esquecer o amargo do dia e a sorte que sonhou ter.
[16h20min]
Deixa eu passar na tua casa
Num final de tarde ensolarado
Levar-te umas flores e te encher de beijos
E rirmos de chorar com as taças de conhaque
Trocar abraços intensos e comovidos
Na cama de lençóis desarrumados
À paisagem útil da janela
Nas roupas misturadas pelo chão
No chiado dos discos na vitrola
Ao movimento do botequim da esquina
E os cachorros revirando sacos plásticos
De mãos dadas, eu e a madrugada
Com a névoa do perfume nos teus lábios
A respirar profundamente essa ventura
Que surgiu nos teus olhos de primavera.
[16h28min]
Deixa eu passar na tua casa
Num final de tarde ensolarado
Levar-te umas flores e te encher de beijos
E rirmos de chorar com as taças de conhaque
Trocar abraços intensos e comovidos
Na cama de lençóis desarrumados
À paisagem útil da janela
Nas roupas misturadas pelo chão
No chiado dos discos na vitrola
Ao movimento do botequim da esquina
E os cachorros revirando sacos plásticos
De mãos dadas, eu e a madrugada
Com a névoa do perfume nos teus lábios
A respirar profundamente essa ventura
Que surgiu nos teus olhos de primavera.
[16h28min]
8.7.09
Nem me sinto mais só, dissolvido nos homens iguais!
Meu coração é seu de papel passado e amassado
Pele de roupa que te veste o corpo
Molhado do oceano que cai das nuvens pálidas
Suado no estandarte das estrelas cálidas
Que reluz baldio em qualquer horto
Preciso de você como preciso do mar
Para poder respirar, revirar o coração
Despedaçado ao pé do teu portão
Olhos de não, boca de sim, de se entregar
Rasgado e avoado no vento com as folhas
Na desnatureza das enormes escolhas
As mensagens espelhadas na janela
A verdade adornada por mil flores.
Pele de roupa que te veste o corpo
Molhado do oceano que cai das nuvens pálidas
Suado no estandarte das estrelas cálidas
Que reluz baldio em qualquer horto
Preciso de você como preciso do mar
Para poder respirar, revirar o coração
Despedaçado ao pé do teu portão
Olhos de não, boca de sim, de se entregar
Rasgado e avoado no vento com as folhas
Na desnatureza das enormes escolhas
As mensagens espelhadas na janela
A verdade adornada por mil flores.
Death came to me on a somber morning.
O Sol frio está se recolhendo
Levando consigo todos os sonhos
Em estertores medonhos
̶ O que está acontecendo?
Não me deixe na escuridão
Não deixe vazia essa imensidão de mim
Que você ocupou, sem querer, assim
Invadindo feito enchente
Num sentimento tão urgente
̶ Não me tire do coração.
Na madrugada ainda mais triste
Uma luz mortiça ainda brilha:
Reluz a bastarda filha
Do que nem sequer existe.
Levando consigo todos os sonhos
Em estertores medonhos
̶ O que está acontecendo?
Não me deixe na escuridão
Não deixe vazia essa imensidão de mim
Que você ocupou, sem querer, assim
Invadindo feito enchente
Num sentimento tão urgente
̶ Não me tire do coração.
Na madrugada ainda mais triste
Uma luz mortiça ainda brilha:
Reluz a bastarda filha
Do que nem sequer existe.
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