Num desgaste de água e vento nas rochas eternas
De quem sequer se agüenta sobre as pernas
Nas ruas de São Paulo ou de qualquer outra cidade
(Porque todas as grandes cidades são iguais)
(Então sempre dá no mesmo, qualquer uma, tanto faz)
Vou desconstruindo outra vez a própria realidade
Em poemas desconexos de palavras desconjuntadas
Cheios de versos como este, de medidas fracassadas.
Desfilando os mesmos velhos temas tão banais
Num ridículo estandarte de pretensa vitória
Contra as formas incoercíveis e inexoráveis
Que regem nossa existência de sutis agonias
Em noite infindáveis ou na luz dos grandes dias
Queixumes de tantos poetas memoráveis
E eu repetindo a vocês aquela mesma história
̶ Navio que sempre faz do alto-mar o seu cais.
25.5.09
Ninguém sabe que coisa quer, ninguém conhece que alma tem.
[20h10min]
Eu não sou o eu que fala
Eu não sou o eu que sente
Eu não sou o eu que há em mim
Nenhum deles.
Sou o que me falta
Sou o que me desmente
Sou o que há depois do fim
Sob todas as peles.
Não sou o que me apresenta
Em vestígios de uma verdade
Em tardes de ansiedade
Não sou o que me representa.
Sou e não sou ao mesmo tempo
Sem manter as aparências
Sem me render à existência
A favor e também contra o vento.
Sou o que não fica mudo
Num torpor dos delírios
Inventando martírios
Sou o que se afasta de tudo.
[20h30min]
Eu não sou o eu que fala
Eu não sou o eu que sente
Eu não sou o eu que há em mim
Nenhum deles.
Sou o que me falta
Sou o que me desmente
Sou o que há depois do fim
Sob todas as peles.
Não sou o que me apresenta
Em vestígios de uma verdade
Em tardes de ansiedade
Não sou o que me representa.
Sou e não sou ao mesmo tempo
Sem manter as aparências
Sem me render à existência
A favor e também contra o vento.
Sou o que não fica mudo
Num torpor dos delírios
Inventando martírios
Sou o que se afasta de tudo.
[20h30min]
I was right there at the top of the bottom.
I
Tempo lento
Suspenso
Sem vento
E eu atravessando as ruas
Em meio à cinza das horas nuas
Quando tudo ruiu.
II
Preste atenção ao momento
Que não se movimenta:
Aquela gota de suor
Pendurada no rosto
Não desabou
E eu me perdi
Na ânsia pelo que não existiu.
III
Sonhei acordado que estavas tão linda
Por um claro instante
Não era um beijo, antes um afago
Doce-amargo
De uma espera interminável
Como os mortos esperando pela ressurreição
Numa angústia do sem-fim
E você nem me viu.
Tempo lento
Suspenso
Sem vento
E eu atravessando as ruas
Em meio à cinza das horas nuas
Quando tudo ruiu.
II
Preste atenção ao momento
Que não se movimenta:
Aquela gota de suor
Pendurada no rosto
Não desabou
E eu me perdi
Na ânsia pelo que não existiu.
III
Sonhei acordado que estavas tão linda
Por um claro instante
Não era um beijo, antes um afago
Doce-amargo
De uma espera interminável
Como os mortos esperando pela ressurreição
Numa angústia do sem-fim
E você nem me viu.
21.5.09
E quanto é mais intenso amar sem comentários!
Que o fundo do poço seja só um trampolim
Pro mesmo começo, pra algum outro fim
Esqueço do gosto, desejo, mereço o gesto?
Qual é o meu rosto? Com quem me pareço?
Ao que me dirijo sem direção?
Alvo do sim e do não, a salvo do fim, rijo feito cadáver
A ver navios-fantasmas que finjo existir
Por miasmas em que virão os pesadelos
De arrepiar os cabelos
De poluir o ar a vir do mar do mal
Em línguas de fogo lambendo o corpo
Porto à míngua de barcaças
À feita de desgraças
Rogo pelo recomeço
Sei que mereço
Mais do mesmo a esmo no cais de mim.
Pro mesmo começo, pra algum outro fim
Esqueço do gosto, desejo, mereço o gesto?
Qual é o meu rosto? Com quem me pareço?
Ao que me dirijo sem direção?
Alvo do sim e do não, a salvo do fim, rijo feito cadáver
A ver navios-fantasmas que finjo existir
Por miasmas em que virão os pesadelos
De arrepiar os cabelos
De poluir o ar a vir do mar do mal
Em línguas de fogo lambendo o corpo
Porto à míngua de barcaças
À feita de desgraças
Rogo pelo recomeço
Sei que mereço
Mais do mesmo a esmo no cais de mim.
20.5.09
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto?
[06h22min]
Talvez eu só precise de atenção
Talvez eu não consiga ouvir um não
Talvez eu só precise de você
Talvez você se esqueça de escrever
Não sei lidar direito com a emoção
Sabia que isso ia acontecer
Você só se lembrou de me esquecer
O meu negócio mesmo é a razão
Pois eu já copiei tantos poetas
E já me desculpei nos exegetas
Faltou eu aprender a ser eu mesmo
Neste soneto já tão preguiçoso
Poesia mal feita e sem gozo
̶ Sou um poeta que escreve só a esmo.
[06h31min]
Talvez eu só precise de atenção
Talvez eu não consiga ouvir um não
Talvez eu só precise de você
Talvez você se esqueça de escrever
Não sei lidar direito com a emoção
Sabia que isso ia acontecer
Você só se lembrou de me esquecer
O meu negócio mesmo é a razão
Pois eu já copiei tantos poetas
E já me desculpei nos exegetas
Faltou eu aprender a ser eu mesmo
Neste soneto já tão preguiçoso
Poesia mal feita e sem gozo
̶ Sou um poeta que escreve só a esmo.
[06h31min]
19.5.09
I'ts not if I believe in love, if love believes in me.
[22h49min]
A vida sempre me escapa
Agora já é mais tarde
Esta distorção do tempo
Canção deixada no vento
Nas letras que 'inda ardem
A existência é um tapa
Na cara de quem duvida
Que se viva sem viver
A vida da antivida
Que morre no entardecer.
[22h53min]
A vida sempre me escapa
Agora já é mais tarde
Esta distorção do tempo
Canção deixada no vento
Nas letras que 'inda ardem
A existência é um tapa
Na cara de quem duvida
Que se viva sem viver
A vida da antivida
Que morre no entardecer.
[22h53min]
14.5.09
Everybody needs to cry or needs to spit.
There goes nights and days
Might mist of preys and prays
I beat myself
Scorched flesh
Stoned flower
Fallen from Grace
Crying lower and louder
Lost for ever and never
Dead hand on my shoulder
In a maze of guilties
A whitered beauty
Through a twisted haze
Where I’ve been kissed every mouth
With too many hands over me
Where we drank every venom
You and me and everyone
What was left?
A little death
For all and no one
This very gloomy abandon.
Might mist of preys and prays
I beat myself
Scorched flesh
Stoned flower
Fallen from Grace
Crying lower and louder
Lost for ever and never
Dead hand on my shoulder
In a maze of guilties
A whitered beauty
Through a twisted haze
Where I’ve been kissed every mouth
With too many hands over me
Where we drank every venom
You and me and everyone
What was left?
A little death
For all and no one
This very gloomy abandon.
13.5.09
Justified 'till we die, you and I will magnify the Magnificent.
Teus cabelos fumegantes e crespos de sarça ardente pau duro de serpente no mastro de Moisés com orgasmos fictícios de Terra Prometida e beijo-de-judas maná água da vida das doenças de dez-pragas-do-egito no adeus de braços abertos em crucificação.
Santo espírito da morte!
Ascende comigo em minha anunciação
Sê meu anjo exterminador.
Faz-me gritar como a jumenta de Balaão.
Suicídio de paixão traída cálice e pão ázimo do adeus no sorriso de abrir mares vermelhos negação de três vezes última ceia de meu corpo de sermão do abismo e impressão de já tê-la visto com olhos de fruto proibido sexo desarvorado de ciência corpo de expulsar paraísos com mordidas na pureza idílica.
E os santos da indignação
Mártires da inveja e tentação
Anjos caídos pela paixão
Demônios do sim e do não.
Santo espírito da morte!
Ascende comigo em minha anunciação
Sê meu anjo exterminador.
Faz-me gritar como a jumenta de Balaão.
Suicídio de paixão traída cálice e pão ázimo do adeus no sorriso de abrir mares vermelhos negação de três vezes última ceia de meu corpo de sermão do abismo e impressão de já tê-la visto com olhos de fruto proibido sexo desarvorado de ciência corpo de expulsar paraísos com mordidas na pureza idílica.
E os santos da indignação
Mártires da inveja e tentação
Anjos caídos pela paixão
Demônios do sim e do não.
5.5.09
Enquanto for assim quero que você me esqueça.
Vou beber até esquecer de mim
Até cair no meio
Fio
Da navalha
Beber ou coisa que me valha
Sem freio
Nem saída
Até me recordar do fim.
Vai acender uma vela
Vai libertar a fera
O funeral vai começar.
No caminho do meio
Do nada
No frio
Do meio da avenida
Da qual faço passarela
Do samba tumular.
Jogar álcool na ferida
Deixar a carcaça caída
Até enfim me lembrar.
De esquecer
De você
Ou não ser
Eis os que estão
Mortos
Que estão vivos
Nas entrelinhas dos livros
Você veio
E eu leio:
_No meio dessa escuridão aí dentro eu enxergo cor.
Até cair no meio
Fio
Da navalha
Beber ou coisa que me valha
Sem freio
Nem saída
Até me recordar do fim.
Vai acender uma vela
Vai libertar a fera
O funeral vai começar.
No caminho do meio
Do nada
No frio
Do meio da avenida
Da qual faço passarela
Do samba tumular.
Jogar álcool na ferida
Deixar a carcaça caída
Até enfim me lembrar.
De esquecer
De você
Ou não ser
Eis os que estão
Mortos
Que estão vivos
Nas entrelinhas dos livros
Você veio
E eu leio:
_No meio dessa escuridão aí dentro eu enxergo cor.
Desata o nó dos cinco sentidos.
Vendendo o corpo, entregando a alma, descendo a ladeira, sem eira, nem beira. O encontro do silêncio com as palavras e a inauguração da nossa morte: soprar toda a areia do teu deserto e beber toda a água do mar. Medo de ter medo de ter medo, imaginário adeus aos anjos no horizonte sem fim, vertical, sem nuvens, sem mar, sem montanhas. Sigo o caminho do meio do nada da rua d’onde faço passarela da morte do Carnaval. Você, que inventou a morte: me explica o segredo da vida.
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