Atravessando a mais longa estrada
Nos pés inflamados, com ataduras
Pisando tanta mágoa pisada
As chagas são como os estigmas
Como sinistras iluminuras
O maior de todos os enigmas
No horizonte mortiço e frio
O meu nariz, já ensangüentado
Fluindo com um amargo rio
Como quem vai partir ou morrer
E no final, assim, tão cansado
Só o desejo de adormecer.
23.3.09
¿Who can forgive forgiveness?
Estrela fugidia no quintal
Estrela que brilhou atrás do véu
Estrela de notícia de jornal
Estrela espalhada no jardim
Estrela decadente sem um céu
Estrela apagada e sem fim.
Estrela que brilhou atrás do véu
Estrela de notícia de jornal
Estrela espalhada no jardim
Estrela decadente sem um céu
Estrela apagada e sem fim.
20.3.09
She said infinity's a great place to start.
My eyes just can’t see / What lies beyond me / The dime already shows / Time couldn’t make me strong / And I’ve waited for so long / Can you hear that calls? / The dice always falls / Showing the wrong side / And coming like a tide / Over the desert falls the snow / I’m here to wait for, I guess / The splendid hour of nothingness.
19.3.09
Poetry makes nothing happen.
[Soneto meia-boca feito à espera do atendimento no SUS, entre a boa-vontade dos médicos e a má-vontade dos funças burocráticos.]
Observe aquela fila de doentes
Procurando a inútil salvação
Acabrunhados como penitentes
O tosco e apertado coração
Aquém da morte a própria maldição
Sorrindo com aqueles poucos dentes
Falando entre si, todos carentes
Inferno de esperar sem solução
O público serviço impublicável
E o esforço do médico amigável
Salvar o atendimento no tal SUS
Esqueletos que saem desse armário
O descaso de cada funcionário
Doente, só se está vertendo pus!
[Na verdade fiz outro soneto lá, mas ficou tão horrível que decidi jogá-lo fora. Também rascunhei um poema em inglês, mas fica para amanhã.]
Observe aquela fila de doentes
Procurando a inútil salvação
Acabrunhados como penitentes
O tosco e apertado coração
Aquém da morte a própria maldição
Sorrindo com aqueles poucos dentes
Falando entre si, todos carentes
Inferno de esperar sem solução
O público serviço impublicável
E o esforço do médico amigável
Salvar o atendimento no tal SUS
Esqueletos que saem desse armário
O descaso de cada funcionário
Doente, só se está vertendo pus!
[Na verdade fiz outro soneto lá, mas ficou tão horrível que decidi jogá-lo fora. Também rascunhei um poema em inglês, mas fica para amanhã.]
17.3.09
Av tidens endeløse svarte minner stormblåst ut av det sorte indre.
Noites que me viram, noites que virão / O desespero é uma arte / A sorte de te conhecer // A chave que abre a janela / A senha pra seguir na estrada / E me encontrar na multidão // Sentindo um pouco de nada / Ascender a tua estrela / Ou guardá-la em minha mão // A saudade de quem parte / A vontade de esquecer / O temor no coração.
16.3.09
Mesmo fora de ordem, ordens são ordens, eu sei.
A madrugada surge no horizonte, alça vôo sobre a noite escura e desaba sobre a paisagem com suas cores de obscuridade, cheia de fumaça cinza, carros distantes deixando rastros de farol-de-milha, ruído de canhões na auto-estrada, passos duros de caminhantes solitários e desconfiados, até que o manto da escuridão amarelada de forma doente pela iluminação pública e pela falta de saúde das pessoas seja recolhido ante o Sol que advém do horizonte, abrasivo, irreconciliador. O Sol é tirano.
10.3.09
Vou lhe fazer um convite tão sincero que é quase infantil.
Queria ter uma idéia
Daquelas bem grandiosas
De tão revolucionária
Uma coisa temerária
E ao mesmo tempo simples
Imagens vindo em clipes
Em um mundo cor-de-rosa
Sem nenhuma panacéia
Como são as geniais
As que eu não tive mais
Uma de gritar eureca
De partir o coração
E fazê-lo retornar
Para poder destronar
Toda essa apreensão
E tudo que ela cerca
Uma idéia toda azul
De tremer o norte e o sul
Daquelas em que a lâmpada
Aparece na cabeça
Daquelas em que a maçã
Despenca da tua árvore
E até uma placa de mármore
É feita com muita pressa
Pra festejar com afã
O gênio que se levanta
O que não fui ao crescer
Enfim perdi o meu medo
Dói como uma nevralgia
De não ser quem eu não era
Pra não libertar a fera
Que jaz aqui escondida
Dentro de qualquer ferida
Tudo isto é apologia
Vou te contar um segredo
Não gosto mais de você.
Daquelas bem grandiosas
De tão revolucionária
Uma coisa temerária
E ao mesmo tempo simples
Imagens vindo em clipes
Em um mundo cor-de-rosa
Sem nenhuma panacéia
Como são as geniais
As que eu não tive mais
Uma de gritar eureca
De partir o coração
E fazê-lo retornar
Para poder destronar
Toda essa apreensão
E tudo que ela cerca
Uma idéia toda azul
De tremer o norte e o sul
Daquelas em que a lâmpada
Aparece na cabeça
Daquelas em que a maçã
Despenca da tua árvore
E até uma placa de mármore
É feita com muita pressa
Pra festejar com afã
O gênio que se levanta
O que não fui ao crescer
Enfim perdi o meu medo
Dói como uma nevralgia
De não ser quem eu não era
Pra não libertar a fera
Que jaz aqui escondida
Dentro de qualquer ferida
Tudo isto é apologia
Vou te contar um segredo
Não gosto mais de você.
Nowhere to go, nothing to do with my time.
Receitas de bolo, de droga, de ganhar e perder relacionamentos. Receita de fazer heróis, de ficar rico com isto ou aquilo. Receita Federal. República Federativa do Adeus. Os deuses dos santos. Os santos sem deus. O pranto do adeus. As contas do rosário, as contas para pagar. A vida acaba no fim do dia, o dinheiro no final do mundo. Os pontos de ônibus lotados, os pontos da ferida infeccionada. As costas e a covardia. Vestido e bem passado. A carência de um colo, a rudeza do solo, a moda em voga, os esgotos cheios de excrementos. Receita caseira para curar o coração que está na mão e dói. Coração no chão, despedaçado. A chaga do lado de Cristo. O mito. A túnica inconsútil despida do réu. As roupas no armários, a casa que não é lar. Eu nem sonhava te amar. Deste jeito. Sem jeito. A gente não tem jeito. Encosto no seu peito. Desmaio em teu leito. O mar desajeitado com suas ondas e ondinas, o céu empoeirado de estrelas ordinárias, todas frias e mortas. Faz frio, fecha a porta. Sem freio no vento, aves, árvores, naves, navegações. Ilusões. O rolo compressor do momento que afaga e afoga na língua úmida de mil sóis, tímido e tísico risco de dizer sim ao não. Desgosto a cada momento de tormento, deleite de coerção da única descida ao inferno do eterno inverno que é a solidão que se entranhava e se estranhava no véu desvelado da mente perdida no vazio da partida. O vazio é a saída.
9.3.09
Significaria minar sua própria existência se o fizesse.
Winds float on a dance
Guilty over guilty
Doom over doom
Crying a entire lake
Or a dead bird’s fly
The bottom of a river
These my poor verses
Revealing your secrets
The end is drawing near
For you apples and oranges
Roses, lilies and daisies
An ocean by the clouds
Addicted to the fail
Useless a little bit
So I have to fix it
Afflicted to the shroud
A cross and a nail
Scent and taste of haze
Moving into the danger
Drown yourself in fear
The sound of a cricket
Please show no mercy
A blood-freezing shiver
The skin so harsh and dry
A hell made of mistakes
Looks like an empty room
Infamous and dirty
I need more than a chance.
Guilty over guilty
Doom over doom
Crying a entire lake
Or a dead bird’s fly
The bottom of a river
These my poor verses
Revealing your secrets
The end is drawing near
For you apples and oranges
Roses, lilies and daisies
An ocean by the clouds
Addicted to the fail
Useless a little bit
So I have to fix it
Afflicted to the shroud
A cross and a nail
Scent and taste of haze
Moving into the danger
Drown yourself in fear
The sound of a cricket
Please show no mercy
A blood-freezing shiver
The skin so harsh and dry
A hell made of mistakes
Looks like an empty room
Infamous and dirty
I need more than a chance.
3.3.09
Romã é amor ao contrário.
I still remember / The soul made ember / I used to smile / Phantoms around my head / A time already dead / And nearly vile // So many rain inside your eyes / So many seas on your lips / Hold on to you fate / Sailing on your ships / Your blood-red skies / Full of tiny pomegranates // As soon the morning comes / The rest of me / Passing through the crushed bones / Refused to be / The only waste / Your very taste // Bitter on my tongue / Every no meaning a yes / Crossing the mist / Forgetting to exist / The same song / Hopeless, fearless.
2.3.09
Sadness passes in a while.
Viajando a bordo
De um tempo já deposto
Ainda me recordo
De como era seu gosto
Eu costumava sorrir
Quando você chegava
Esquecer de existir
Mal rompia a manhã.
E eu só enxergava
Olhos de tanta chuva
Tanto mar nos teus lábios
O amargo na língua
Outro sonho à míngua
O conselho mais sábio
Caindo como luva
Era tudo imenso afã.
Mas você me chamava
E eu nas mesmas canções
Esquecia as lições
Nada era verdadeiro
Cada não era um sim
Pois o resto de mim
Enchia o céu inteiro
Vermelho de romãs.
De um tempo já deposto
Ainda me recordo
De como era seu gosto
Eu costumava sorrir
Quando você chegava
Esquecer de existir
Mal rompia a manhã.
E eu só enxergava
Olhos de tanta chuva
Tanto mar nos teus lábios
O amargo na língua
Outro sonho à míngua
O conselho mais sábio
Caindo como luva
Era tudo imenso afã.
Mas você me chamava
E eu nas mesmas canções
Esquecia as lições
Nada era verdadeiro
Cada não era um sim
Pois o resto de mim
Enchia o céu inteiro
Vermelho de romãs.
Sei um segredo: você tem medo, só pensa agora em voltar.
Hoje faz mais calor nesta cidade
Eu morro um pouco a cada amanhecer
Não temos mais a mesma identidade
E você ainda pensa em me esquecer
Um luto renovado a cada dia
Eu finjo que você nem me faz falta
E quando a madrugada já vai alta
Eu posso ouvir os sinos da agonia
Ocultos e sinistros pesadelos
Agonia noturna sem igual
Acordo arrancando meus cabelos
Resumo do meu triste madrigal
Mas sei que você às vezes sofre
Guardando o sentimento em um cofre
Rezando ajoelhada a um deus ateu
Fingindo que o nosso amor morreu.
Eu morro um pouco a cada amanhecer
Não temos mais a mesma identidade
E você ainda pensa em me esquecer
Um luto renovado a cada dia
Eu finjo que você nem me faz falta
E quando a madrugada já vai alta
Eu posso ouvir os sinos da agonia
Ocultos e sinistros pesadelos
Agonia noturna sem igual
Acordo arrancando meus cabelos
Resumo do meu triste madrigal
Mas sei que você às vezes sofre
Guardando o sentimento em um cofre
Rezando ajoelhada a um deus ateu
Fingindo que o nosso amor morreu.
Às vezes revoltava-se longinquamente: a vida é longa.
Torn are the curtains, but the body is still tied in rusty chains, over the roofs and trees, across the wet land and dry sea. Forgive and regret: so many secrets, so many fails, too many falls, now and forevermore. I’m gone. I’m done. I’m none. I’m in home.
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