[14h10min]
Já perdi a identidade
N’alguns cantos da cidade
Numas vezes, fui furtado
Em passos mal iluminados.
Ou tenha me descuidado
Algumas vezes, verdade
Foi por minha má-vontade
Mas que importa?, está acabado.
Ficou um pouco em cada canto
Feito pedaços de um manto
Que já foram se rasgando
Desfazendo, desmanchando.
Num açoite desumano
D’um caminho tão nefando
Que meu ser, em desencanto
Foi despido de seu pranto.
Tive que achar u’a carteira
Outra cara verdadeira
Que de algo me valesse
Em que eu me reconhecesse.
P’ra que algo acontecesse
E me trouxesse interesse
Numa angústia tão certeira
E o abismo?, sempre à beira.
Caído n’outras desventuras
Vestindo roupas escuras
Hoje, qual será meu gosto?
Quem me sentirá o gosto?
Quem ocupa o tal posto
De sentir o meu desgosto?
E que possa, por ventura
Sentir ele minh’amargura.
[14h22min]
15.7.09
Assinar:
Postar comentários (Atom)
1 comentários:
Sentir o gosto é fácil...
Difícil é esquecer o sabor.
É para isso que servem as horas.
Esquecer e lembrar.
E numa hora dessas a gente se encontra.
Com a gente mesmo e com outra cara verdadeira.
beijo
Ale
Postar um comentário