23.6.09

May the king of gloom be forever doomed.

Um momento percebido de silêncio: no dia anterior, o momento que não veio, vento curvado sobre as folhas secas que jamais viram a noite. A pele esgarçada sobre os ossos trincados, feito uma bandeira de trapos de glórias perversas, jaz quarada de sangue sujo e negro sob um sol de má vontade. O céu descolorido se derrama em nuvens sem graça espelhadas no chão. O sorriso desfigurado, amorfo, deixa todos apreensivos, num augúrio de má sorte e desventura. E eu não acredito, e eu não acredito, e eu não acredito. Atrás do Sol, debaixo das águas, no fundo do peito, a mesma verdade: ausência. Sonhos em vão caindo dos olhos, feito pétalas, poeira de estrelas, pedras do caminho, esperança queimando nas mãos frias. Corpo morto, vontade viva e desnuda. Sem pudor, sem poder.

1 comentários:

Mariel F. Moura disse...

Provevelmente a melhor coisa que já li sua. Coisa, ou tipo, ou quase um pergaminho em neon atravessando em uma garrafas desnuda um oceano vasto, casto, raso, profundo.

Bjos