27.4.09

No deserto do seu olhar, quantos sonhos vão se esconder?

Mais um pouco de spleen e charutos num país que se perdeu sem conhecer um apogeu na miríade dos edifícios rurais e promontórios urbanos da terra desoladamente repleta de gente animalizada que perpassa a vida em quaisquer vestígios de esperança vadia e malcheirosa. No estômago das borboletas, que bichos se reviram de paixão e ódio? Da contribuição paupérrima dos acertos até os fins de qualquer angústia, inutensílios fragmentados de uma vertigem do discurso desgastado se amontoam eM universos inteiros de metades desiguais. Ante a multidão, agarro os trapos do que fui e a túnica inconsútil do que sou, e entrego tudo a você, enquanto as nuvens fogem do horizonte, enquanto o corpo escapa pelo ralo gradeado da alma entulhada de afazeres metafísicos sem nenhuma utilidade. Só desejo ser o Sol, o Sol deseja ficar só; por isso se esconde, por isso se vinga nos dias mais quentes de suor e apodrecimento, quando seus raios incineram os sonhos de miséria e humildade, água turva evaporada do céu e derramada do chão. Sem qualidades. Sem coisa alguma. Totalidade: já desisti.

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