Começou como uma brincadeira:
Caneta, papel e giz de cera;
Já nas primeiras letras escritas
Proporcionei diversões malditas.
E desenhando em tons escuros
Eu comecei a derrubar os muros.
Pois se engendrou o primeiro erro
No exato instante em que a linguagem
Que fez os deuses criou a luz,
Levando ao mesmo grande desterro
Ambos os lados da minha imagem:
̶ Deuses e homens na mesma cruz.
É até o fim, pois, que eu escrevo;
São meus os versos escrevinhados
Fazendo não do meu próprio sim
(‘Inda não posso, mas sei que devo)
Em territórios tão desolados
Como se não fosse para mim.
Ver-te-ei numa noite qualquer
Pois és a minha própria metade
(Lua e estrelas no firmamento);
Na mão, na tela ou no pensamento
Devo escrever mesmo sem vontade
A natural angústia de ser.
22.4.09
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1 comentários:
Canções do mundo acabado meu livro de cabeçeira?! É.
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