22.4.09

Meu coração vive reclamando noite e dia.

Começou como uma brincadeira:
Caneta, papel e giz de cera;
Já nas primeiras letras escritas
Proporcionei diversões malditas.
E desenhando em tons escuros
Eu comecei a derrubar os muros.

Pois se engendrou o primeiro erro
No exato instante em que a linguagem
Que fez os deuses criou a luz,
Levando ao mesmo grande desterro
Ambos os lados da minha imagem:
̶ Deuses e homens na mesma cruz.

É até o fim, pois, que eu escrevo;
São meus os versos escrevinhados
Fazendo não do meu próprio sim
(‘Inda não posso, mas sei que devo)
Em territórios tão desolados
Como se não fosse para mim.

Ver-te-ei numa noite qualquer
Pois és a minha própria metade
(Lua e estrelas no firmamento);
Na mão, na tela ou no pensamento
Devo escrever mesmo sem vontade
A natural angústia de ser.

1 comentários:

Carla Félix disse...

Canções do mundo acabado meu livro de cabeçeira?! É.