10.3.09

Nowhere to go, nothing to do with my time.

Receitas de bolo, de droga, de ganhar e perder relacionamentos. Receita de fazer heróis, de ficar rico com isto ou aquilo. Receita Federal. República Federativa do Adeus. Os deuses dos santos. Os santos sem deus. O pranto do adeus. As contas do rosário, as contas para pagar. A vida acaba no fim do dia, o dinheiro no final do mundo. Os pontos de ônibus lotados, os pontos da ferida infeccionada. As costas e a covardia. Vestido e bem passado. A carência de um colo, a rudeza do solo, a moda em voga, os esgotos cheios de excrementos. Receita caseira para curar o coração que está na mão e dói. Coração no chão, despedaçado. A chaga do lado de Cristo. O mito. A túnica inconsútil despida do réu. As roupas no armários, a casa que não é lar. Eu nem sonhava te amar. Deste jeito. Sem jeito. A gente não tem jeito. Encosto no seu peito. Desmaio em teu leito. O mar desajeitado com suas ondas e ondinas, o céu empoeirado de estrelas ordinárias, todas frias e mortas. Faz frio, fecha a porta. Sem freio no vento, aves, árvores, naves, navegações. Ilusões. O rolo compressor do momento que afaga e afoga na língua úmida de mil sóis, tímido e tísico risco de dizer sim ao não. Desgosto a cada momento de tormento, deleite de coerção da única descida ao inferno do eterno inverno que é a solidão que se entranhava e se estranhava no véu desvelado da mente perdida no vazio da partida. O vazio é a saída.

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