[Soneto meia-boca feito à espera do atendimento no SUS, entre a boa-vontade dos médicos e a má-vontade dos funças burocráticos.]
Observe aquela fila de doentes
Procurando a inútil salvação
Acabrunhados como penitentes
O tosco e apertado coração
Aquém da morte a própria maldição
Sorrindo com aqueles poucos dentes
Falando entre si, todos carentes
Inferno de esperar sem solução
O público serviço impublicável
E o esforço do médico amigável
Salvar o atendimento no tal SUS
Esqueletos que saem desse armário
O descaso de cada funcionário
Doente, só se está vertendo pus!
[Na verdade fiz outro soneto lá, mas ficou tão horrível que decidi jogá-lo fora. Também rascunhei um poema em inglês, mas fica para amanhã.]
19.3.09
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